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domingo, 26 de outubro de 2014

Alternância, pero no mucho.

Suponha que haja esse senhor, o Sr. Brasão, um homem sisudo, mas que adora sorvetes. Sr. Brasão decidiu que, para ele, a alternância dos sabores é de extrema importância. Então implementou o seguinte método: nos primeiros quatro anos desde sua decisão de alternar sabores, tomaria apenas sorvete de morango. Aí, ao final desses quatro anos, passaria a tomar apenas sorvete de chocolate, até que se passassem mais quatro anos, quando então ele novamente decidiria se prefere morango ou chocolate para o próximo quadriênio de sua vida. Sr. Brasão dorme tranquilamente em berço esplêndido todas as noites, em paz com sua própria coerência, certo de estar seguindo à risca o seu princípio: a alternância de sabores é tudo.

Agora me responda, car@ leitor(a): quantos sabores diferentes de sorvete Sr Brasão terá provado durante sua vida? E quantos há pra se provar no mundo? Apesar de sentir tranquilo quanto a isso, Sr. Brasão é realmente fiel ao seu princípio? É um competente "altenador de sabores"?

Pois bem, façamos uma pausa na parábola e voltemos ao mundo real. Queiram me responder: o que é que nós faremos nessas eleições de hoje? Resposta: escolheremos entre PT e PSDB. Muito bem! E o que foi que fizemos quatro anos atrás? E oito anos atrás? E doze? E dezesseis? Vocês entenderam.

Então, sejamos sinceros: a alternância de poder é realmente relevante pra nós? Nós estamos sendo competentes "alternadores de poder" ou apenas babacas manipulados pelas paixões que o dinheiro desses grandes grupos políticos são capazes de produzir? Caímos nós, novamente, no mesmo truque que nos aplicam desde sempre, onde no final nos vemos forçados a escolher entre o ruim e o pior? Será? É MESMO honesto, dado o contexto, usar "alternância de poder" como um dos argumentos pra escolher seu candidato nessas eleições? E a pergunta mais importante: seria você o Sr. Brasão?

Daqui há mais quatro anos, o PT será o grupo que esteve no poder durante 12 ou 16 anos e o PSDB - ou mais especificamente "os representantes da extrema direita" - continuará sendo o grupo que esteve no poder desde sempre, exceto por um hiato de 12 ou 16 anos. Então se você é desses que preza de verdade pela alternância de poder, não nos vá colocar novamente na mesma situação em que estamos há décadas.

Quer mudar o Brasil? Mude seu voto. Mas só daqui há quatro anos. O que temos pra hoje é só morango ou chocolate, fazer o quê?!

sábado, 27 de setembro de 2014

Aleluias!

Nelson Rodrigues, o desbocado padroeiro do futebol e do Fluzão, hoje aprontou das suas: desde o além, providenciou uma epifania coletiva e todo mundo que entrou em campo foi capaz de acessar aquela zona esquecida lá no fundo de seus cérebros: relembraram como se joga futebol!

E como lembraram! Fluminense e São Paulo hoje me fizeram sentir como quando ouço os mais velhos contando sobre os jogos das eras douradas de seus times ou quando assisto àquelas reportagens legais estilo "Baú do Esporte": fizeram um jogo fluido, onde todo mundo conhecia exatamente as maneiras da brincadeira, onde todos pareciam acreditar que a bola tem sim que rolar num jogo de futebol, por mais que a regra do momento seja a ditadura da velocidade e do vigor, apenas.

Dirão por aí que o primeiro tempo foi meio morno, concentrado na intermediária, nenhum goleiro tendo muito trabalho. E é verdade, vá lá. No entanto, não vimos faltas feias, não vimos (não-)matadas de bola bisonhas; até as figurinhas conhecidas pela falta de habilidade, como nosso veloz e dedicado porém completamente quadrado zagueiro Elivélton, resolveram fazer o básico pra não fazer feio, acho que influenciados pelo reinante zelo com a redondinha.

No segundo tempo, o rápido gol do Fred (aqui, pausa pra piada infame: consegui usar as palavras "rápido" e "Fred" numa mesma frase! Rá! Lide com isso!), numa jogada muito bem feita, acrescentou o único ingrediente que faltava ao jogo: a vontade séria de vencer. Até então, os dois times se respeitavam demais, até porque os dois jogavam demais, era jogo de time grande. Daí pra frente, começaram a não apenas jogar, mas jogar pra ganhar. Pensei que ficaria ruim pro Flu, que se acostumou nesse campeonato a fazer o primeiro gol e se entregar a uma pasmaceira abominável, que quase sempre acabou levando a um resultado pior do que queríamos, mas me enganei. Era a noite do estranho, e, mesmo tendo sofrido logo o empate, o Flu continuou muito bem, lúcido; o jogo continuou muito bom, e empolgante, e de qualidade.

Foi então que deixaram o nosso 9 fazer o pivô. Aviso aos zagueiros do mundo: não se deixa um centro-avante de qualidade fazer o trabalho de pivô, caras! Mesmo nessa época de caça aos noves tradicionais, mesmo nessa época babaca de que todo mundo tem que ser veloz e em que "falso 9" soa quase como um mandamento bíblico, não se deixa um 9 matar de costas pro gol, girar e achar alguém mais bem posicionado. Tsc, tsc. Erro fatal da zaga paulista, Fred achou Wagner na esquerda, que cortou pro pé fraco e soltou um tiro como manda o almanaque: fora de alcance pro Ceni. Belo gol, bela jogada, futebol em estado puro.

E como era a noite do estranho, teve gol de falta pro Flu. Nem lembro quando foi a última vez que vi alguém do Flu fazendo um gol de falta de cobrança direta pro gol. Mas o importante é que dessa vez o Conca fez, e que golaço! Daqueles em que o goleiro só consegue ficar parado e rezar. Mas nesse caso, rezar não adiantaria pro Ceni: São Nelson estava do nosso lado, e deve ter sussurrado ao pé do ouvido do Conquinha: "Na gaveta, moleque!", como em certo comercial de TV.

Admito, leitor! Pode ser que eu esteja tão encantado assim com o jogo porque ainda estou inebriado com o clima, talvez eu o esteja adjetivando com muito mais generosidade do que qualquer outro ser humano faria, mas, aqui pra nós, o que é escrever sobre futebol sem poder se inflamar? O que é futebol sem uma dose de paixão? E ainda digo mais: já havia decidido fazer esse texto quando o jogo ainda estava 1 a 1. Então, talvez seja paixão, sim, mas não pelo resultado. Pelo futebol. Três pontos pra ele.

PS: muito bom o time do São Paulo. Qualquer resultado hoje seria justo e não seria demérito do lado perdedor, como de fato não foi. E vale o adendo: Ganso, que eu via como eterna promessa, parece ter voltado a jogar bola, mas mais do que isso, parece ter encontrado graça no jogo. Não tem mais aquela atitude de "ah, eu sou f*** nisso aqui, mas f***-se", não é mais aquela menina bonita que sabe que é bonita e que a vida vai ser mais fácil por causa disso. O Ganso me parece ser agora aquela menina que sabe que é bonita e, indiferente a isso, quer cursar engenharia.

PSS: Torço que essa partida não tenha sido mesmo apenas um caso de epifania coletiva, que todo mundo comece a jogar bola como se deve jogar bola, como se tivessem algum interesse no jogo além do financeiro e usando todo o conhecimento de causa que hoje mostraram que têm. Oremos!

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Brasil fazendo brasilzice.

O jogo de abertura da Copa teve a cara do país.

Primeiro, o Neymar mostrando que, às vezes, é uma questão de jeito, e não de força. Depois, o Fred encarnando o "São Migué" e fazendo uma encenação que valeria um papel de destaque em qualquer pastelão mexicano, mas de novo, sendo tipicamente brasileiro: se a coisa tá feia, damos um jeito, mesmo que não seja o mais bonito (tanto do ponto de vista estético quanto do moral). No terceiro, o Oscar, que aliás acabou com o jogo ontem, usou muito talento, muita raça e o improviso (uma bicuda estilo Ronaldo Fenômeno contra a Turquia em 2002) pra fechar a conta.

Quanto ao gol contra do Marcelo? Esse representou a inclassíficável cerimônia de abertura que vimos horas antes do jogo: uma coisa tão tosca que só pode ter sido feita sem querer.

PS.: Salvou-se o pontapé inicial, que divulgou o trabalho do Miguel Nicolelis, cuja competência a gente que tem um pouquinho de curiosidade sobre ciência nesse país conhece já de outros verões. Que ele continue trabalhando e inspire o resto do país. Ainda existe seriedade nessa nossa gente.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

8 ou 80.

Parece que politicamente no Brasil, ou você joga na lateral direita ou na ponta-esquerda, não existe meio campo. É como se o país estivesse dividido entre aqueles que acham que o país é o paraíso, Dilma é a papisa e Lula é Deus, e os que acham que aqui é o inferno, Lula é o tinhoso e Dilma é, sei lá... o Ozzy Osbourne.

Uma das implicações mais chatas dessa situação é a dificuldade que os meros mortais, como eu, que estão naquela de primeiro tentar entender o que tá acontecendo pra depois formar opinião, encontram pra se informar.

Explico: não basta que a gente simplesmente leia a notícia; a gente precisa ler levando em consideração onde está lendo, calculando qual a orientação política de tal fonte e então pegar todo o conteúdo da matéria e dividir pelo que chamo de "coeficiente de arrefecimento de babaquice", pra poder poder diminuir a influência da opinião pessoal de quem escreveu e chegar mais perto do que realmente talvez tenha acontecido.

Claro, não é nenhuma novidade que o mundo midiático seja dominado por gente inflamada de paixões partidárias e desejosa de angariar adeptos, mas, tipo, será que ninguém percebeu ainda que, apesar de ser comum, isso não é "normal"? Seria muito legal se eu pudesse pegar uma reportagem que simplesmente REPORTASSE algo. Tipo: aconteceu tal coisa, em tal lugar, em tais circunstâncias, com tais personagens e pronto! Tão mais simples!

Quem sabe um dia, né?

domingo, 16 de março de 2014

Sexy, sem ser vulgar.

Já falei ou tive vontade de falar um bocado de vezes aqui sobre a indignação, a revolta, o asco que me causa a massificação da vulgaridade nas mais famosas canções do nosso belo, singelo e singular país.


Bem, tanta revolta pode ser confundida com puritanismo, com a tradicional defesa da "moral e bons costumes". Pode até ser, vou concordar, que no fim acabe servindo pra isso. No entanto, devo esclarecer, antes tarde do que nunca, que meu motivo é bem outro! Não é defesa da moral e dos bons costumes, é antes uma investida contra a breguice, a falta de estilo, a carência de elegância.


Não, sexo não é assunto proibido, já deixou de ser tabu muito antes de terminar o século passado, quanto mais nesse. Pode falar de sexo, mas tenha estilo! Não seja só mais um pobre de espírito e sem talento que simplesmente arrota um refrão chulo, como já fizeram centenas desde os idos tempos do É o Tchan e até antes (com algum sucesso financeiro, admito, mas dinheiro é o de menos, não?... Não!? Agora fui surpreendido!), faça pelo menos um negócio um pouquinho mais elaborado, tenha uma certa sutileza, preste atenção às letras do Kid Abelha (sim, é Abelha, não o que você pensou antes, mente suja!) que estão povoadas de erotismo disfarçado.

E, pra dar um exemplo claro de alguém que já fez isso, fica pra vocês a música mais elegantemente sexy sem ser vulgar já composta na história da humanidade (entre todas as músicas que eu conheço): "Soneto do teu corpo", do Leoni e do Moska.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Das histórias bem contadas

Devo reconhecer que não sou tão "rodado" em literatura quanto deveria ou como minha cara de nerd talvez sugira. Me faltam alguns clássicos - não li nada de Shakespeare, por exemplo, a não ser aqui e ali, por acaso - e tenho lido pouco nos últimos meses.

Mesmo assim, em valores absolutos, li um bom bocado. Tanto que consegui já perceber que existem histórias que são melhores pelo jeito como são contadas do que pelo que realmente contam.

Tome "As intermitências da morte", do Saramago, como exemplo. São três ou quatro histórias num livro só, cada uma delas venderia muito bem sozinha, entrelaçadas apenas pelo pano de fundo comum: a morte parou de matar. A narrativa te leva de uma visão "aérea", impessoal, em que você se vê no papel de um governo que não sabe o que fazer com os seus vivos que insistem em não morrer, num momento, até o íntimo dos pensamentos daquela particular "Dona Morte" que resolveu largar o trabalho, passando por outras histórias curtas no caminho. Tudo isso escrito com uma pontuação que parece ter sido feita aleatoriamente, só pra complicar. Tinha tudo pra ser um "A Árvore da Vida" impresso: pretensioso, mas completamente sem sentido ou graça. Mas não, As Intermitências é inacreditavelmente bom e o motivo é muito simples: Saramago.

Ele não se contenta em simplesmente dizer o que tem pra ser dito, ele faz isso de uma maneira tão elegante, com as palavras tão minuciosamente bem colocadas que você sente um tanto de vergonha: "se eu tivesse que dizer isso, não soaria tão legal". E aí você se pega lutando pra adivinhar as vírgulas.

Isso é o que torna tudo tão fantástico, tão prazeroso, que te faz engolir o livro em umas poucas horas, mesmo tendo que frequentemente reler três ou quatro vezes uma sentença.

É o que faz também Machado de Assis em Dom Casmurro.

"Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz
aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu."

O simples acrescer desse "e de chapéu" faz o milagre acontecer. É o que eu nunca teria pensado em dizer quando descrevesse meu encontro com alguém. E isso é só a primeira frase do livro. Fica melhor, fica muito melhor.

E você percebe que não importa se Capitu traiu ou não, ou qualquer outra coisa que o enredo queira, o que importa é que essa história foi uma vez escrita, e escrita assim, pra que num desses dias marotos você pudesse se dar ao deleite de comê-la. Saboreá-la e ter aquela pequena epifania que só os bons escritos, os realmente bons, te conseguem dar.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

"My thoughts on S.O.P.A.", by Paulo Coelho

No último dia 20, o escritor Paulo Coelho publicou em seu blog um texto onde opinava sobre a famigerada S.O.P.A. e, mais que isso, sobre o que pensa da "pirataria" online. O texto original, em inglês, pode ser lido aqui.
Abaixo, uma versão traduzida do post. A tradução é minha, e portanto qualquer eventual erro também. Comentem!

Na antiga União Soviética, nas décadas de 1950  e 60, vários livros que questionavam o sistema político começaram a circular "debaixo dos panos" em versões mimeografadas. Seus autores nunca receberam um centavo em royalties. Ao contrário, eles foram perseguidos, denunciados na imprensa oficial e enviados a exílio nas gulags siberianas. Mesmo assim, eles continuaram escrevendo.

Porquê? Porque eles precisavam compartilhar o que estavam sentindo. De Gospels a manifestos políticos, a literatura permitiu que idéias viajassem e até mesmo mudassem o mundo.

Não tenho nada contra pessoas ganhando dinheiro por seus livros; é assim que me sustento. Mas olhe o que está acontecendo agora. O Stop Online Piracy Act (S.O.P.A.) pode despedaçar a internet. Este é um PERIGO REAL, não só para os americanos, mas para todos nós, já que a lei - se aprovada - afetará o planeta inteiro.

E como me sinto quanto a isso?
Como autor, eu deveria estar defendendo a "propriedade intelectual", mas não estou.

Piratas do mundo, unam-se e pirateiem tudo que eu já escrevi!

Os bons e velhos dias, quando cada idéia tinha um proprietário, se foram para sempre.
Primeiro, porque tudo que se faz é reciclar os mesmo quatro temas: uma história de amor entre duas pessoas, um triângulo amoroso, a disputa por poder, e a história de uma jornada.
Segundo porque todos os escritores querem que o sua obra seja lida, seja em um jornal, num blog, num panfleto ou numa parede.

Quanto mais vezes ouvimos uma música no rádio, mais ficamos inclinados a comprar o CD. É o mesmo com a literatura.

Quanto mais pessoas "pirateiam" um livro, melhor. Se gostarem do começo, comprarão o livro inteiro no dia seguinte, porque não há nada mais cansativo do que ler longos textos numa tela de computador.

1. Alguns dirão: Você já é rico o bastante para permitir que seus livros sejam distribuídos de graça.
Isso é verdade, eu sou rico. Mas foi o desejo de fazer dinheiro o que me levou a escrever? Não.
Minha família e meus professores todos disseram que não ser escritor não dava futuro.
Eu comecei e continuo escrevendo porque me dá prazer e significado à minha existência. Se dinheiro fosse a razão, eu poderia ter parado há muito tempo e me poupado de ter que lidar com críticas invariavelmente negativas.

2. A indústria da imprensa dirá: Artistas não podem sobreviver se não forem pagos.
Em 1999, quando fui publicado pela primeira vesz na Rússia (com uma tiragem de 3000), o país estava sofrendo com grave escassez de papel. Por acaso, eu descobri uma edição "pirata" de "O Alquimista" e a postei na minha página na web.
Um ano depois, quando a crise estava resolvida, eu vendo 10000 copies da versão impressa. Até 2002, eu já tinha vendido um milhão de cópias na Rússia e agora já ultrapassei a marca dos 12 milhões.

Quando viajei pela Rússia de trem, encotrei muitas pessoas que me contaram ter descoberto meu trabalho através da versão "pirata" que postei no meu site. Hoje em dia, administro um site "Pirate Coelho" com links para quaisquer livros meus disponíveis em sites de compartilhamento P2P.
E minhas vendas continuam crescendo. Aproximadamente 140 milhões de cópias ao redor do mundo.

Quando você chupa uma laranja, precisa voltar ao mercado se quiser comprar outra. Nesse caso, faz sentido pagar ali mesmo.
Com um objeto de arte, você não está comprando papel, tinta, pincel, tela ou notas musicais, mas a idéia nascida da combinação desses produtos.

A "pirataria" pode agir vomo uma apresentação ao trabalho do artista. Se gostar da idéia, aí você vai querer tê-la na sua casa; uma boa idéia não precisa de proteção.

O resto é ganância ou ignorância.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Desaprendemos?

As pessoas reclamam de terem relacionamentos frustrados, terminando cada vez mais cedo e por motivos mais fúteis, e ficam procurando os motivos pra tantos fins à jato. Pra mim é meio claro o motivo: ninguém se guarda mais pra ninguém, nem pra si mesmo. Sentimento é, em certo sentido, igual a dinheiro: se você poupa, você sempre tem um pouco pra enfrentar as épocas de crise. Mas se a política é do "coma o quanto puder", aí, dia de muito é véspera de nada, né?

Relacionamento, muito mais que amor, paixão ou como queira, exige tempo, paciência e habilidade para engolir sapos de vez em quando. Exige prática, investimento de muito numa pessoa só, mas esse muito tem que ser diluído ao longo do tempo. Doses homeopáticas, porque quanto mais rápido você se joga, mais rápido dá com a cara no chão.

A gente tá chegando aos vinte e poucos vazio de qualquer romantismo ou esperança de poder olhar pra uma pessoa e dizer: "eu te gosto, de verdade", só porque construir e preservar isso custa tempo (principalmente quando o mundo é esse grande self-service sem balança); só porque é mais fácil dizer "eu te amo" no primeiro enontro, fazer tudo que dá na telha no primeiro mês (ou ano, que seja), e aí esvaziar a história de qualquer sentido, utilidade, efeito psicológico ou motivo para dar certo por mais tempo.

A Taís certa vez me deu um conselho que pretendo nunca esquecer. Em outras palavras ela me mostrou o seguinte: se você quer que uma história dê certo, se ela der certo, vai chegar um momento em que a coisa que você mais vai fazer com sua companheira vai ser, simplesmente, conversar. Nada mais. Isso é tão óbvio quanto ignorado por todo mundo. Porque se isso fosse levado em consideração, nossas preocupações ao escolher um alguém não seriam se esse alguém tem dinheiro (coisa que vai mudar com o tempo, pra melhor ou pra pior, mas muda), ou se é bom de cama.

"Ah, mas eu tenho que viver o agora!". É, e "viver" virou sinônimo de "Aaah! Vamo cair pá dentroo!" e toda essa entrega ao instinto e à selvageria (e eu não me refiro apenas a sexo aqui, não seja simplista!).

Não é à toa que o casamento é visto como instituição falida. Todo mundo desaprendeu!

PS.: A interrogação no título do post não passa de eufemismo de um otimista.

domingo, 4 de setembro de 2011

Promoção

Última novidade da promoção Mastercard® Surpreenda: Compre um Ricardo Teixeira e leve de brinde um Fielzão totalmente superfaturado!

"Algumas pessoas têm princípios. Para todas as outras existe Mastercard®"

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Across the Universe...

... é um filme/musical que conta a história de um casal e seus amigos mais próximos num enredo que é embalado pelas inesgotáveis (em sentido e sentimento) canções dos Beatles. Como não poderia deixar de ser, os trechos de romance se intercalam com os de drama e psicodelia, bem ao estilo da época em que se desenrola a trama (nota do redator: "bem ao estilo da época em que se desenrola a trama" é um lugar comum mais imperdoável do que... bom, uma coisa bem imperdoável; portanto, não siga meu exemplo, seja criativo ao redigir! :)). Programa recomendadíssimo pra quem tem tempo que não vê nada bom por aí. A seguir, um aperitivo!

sábado, 6 de agosto de 2011

Do you speak internetish?

Eu não entendo mesmo o internetês e seus adeptos. Por exemplo, eles conseguem escrever "aqui" com cinco "a"s, três "q", dez "i"s e ainda um "y" no final que sequer sabe como foi parar ali, o coitado. Por outro lado, quando a gente percebe, numa conversa com esses seres, algum erro de ortografia realmente inaceitável e gentilmente o aponta, a resposta é: "Ah, foi mal. É que eu escrevi com pressa."

PRESSA?! Não creio, pequeno gafanhoto. Seria pressa, seu filho de uma pobre e envergonhada de sua prole senhora, se você não tivesse escrito seu próprio nome, aí em cima na tela, com uma letra maiúscula e uma minúscula intercaladamente. Se você não tivesse acrescentado oito vogais a ele e não tivesse escrito, entre seu primeiro e segundo nomes, uma underline E um espaço. Aí, eu acreditaria que você tem pressa. Se essas malditas borboletas, sóis, arrobas, carinhas felizes e caracteres do alfabeto cirílico não estivessem aí, eu creria de bom coração na sua pressa. Mas não me venha com essa, não!

Dá pra admitir que um adolescente\jovem\até adulto, vá lá... não escreva magnificamente, cometa deslizes às vezes, ainda que bem feios. O que não dá é errar e achar bonito. Ser analfabeto com orgulho, mesmo tendo oportunidade de não ser. Isso é que não dá pra admitir. Inventar uma mentira e acreditar nela, só porque é menos trabalhoso que resolver o problema.

Essa nossa cultura de exigir pouquíssimo e aceitar ainda menos que pouquíssimo vai acabar... bom, vai acabar dando merda! Com vinte "a"s e trinta exclamações.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Google+ e Blogspot novos: primeiras impressões.

Certo, não pude conter o ímpeto nerd e dedico este post às primeiras impressões das novidades da gigante Google (em mais um passo do seu plano para dominar o mundo... O quê? Você não sabia? muaahahaha). Primeiro, o blogspot (a parte de gerenciamento) ficou um porradilhão e tanto de vezes mais elegante. A funcionalidade eu ainda não pus à prova, exceto para publicar esse texto (e, se você o vê, funciona! :)), mas visualmente achei muito mais interessante.

Agora o Google +. As vantagens, em relação ao Orkut, que eu pude perceber:

- Visual muito mais limpo (visual do Orkut nunca foi uma maravilha e, na minha opinião, só veio piorando);
- Integração com muitos outros serviços Google, como o Web Albums e os Perfis, além dos que o Orkut já suportava.
- O jeito estiloso e divertido de organizar os contatos em "Círculos" deve realmente melhorar a experiência social.
- Os Hangouts (bate papo por vídeo), se funcionarem (ainda não pude testar), prometem ser bastante úteis, principalmente pela simplicidade. Vai ser divertido.

O que vai dar dor de cabeça é que, provavelmente, a galera que não tem uma banda larga de verdade (f***ing Vivo) deve passar alguma dor de cabeça poder pra usar tudo que a nova rede oferece.

Em resumo: com a iminente relegação do Orkut ao limbo do cyberespaço, creio que essa plus foi uma bola dentro, principalmente porque todo mundo gosta de novidade e a plus traz muitas. Vamos ver se vai ter vida longa...

A propósito, quem quiser um convite, só comentar. Aliás, comente mesmo que não queira convite. Hehe

Abraço!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Todos têm um ideal

Acho legal como ultimamente todo mundo tem algo pelo que lutar. Esse primeiro semestre foi lotado de passeata, protesto, paralisação, greve, trending topics politicamente engajados.

Interessante, fenômeno raro no Brasil pós-Collor. O triste é a síndrome do fica-tudo-por-isso-mesmo. Mas já é um avanço, pelo menos o povo começou a se mexer.

PS.: Quando ouvi Yann Tiersen na novela das sete, sabia que esse ano teria algo diferente. Vem aí 2012. Medo...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Nós, robôs.

As pessoas precisam de axiomas. É interessante como os séculos passam e a gente continua não se dando ao trabalho de questionar as "verdades absolutas" que nos ensinam desde pequenos. Tais verdades têm um poder assombroso e, quando encontram uma mente sagaz o bastante para usá-las convenientemente, mudam a vida de um número considerável de pessoas. Para melhor ou para pior.

É a crença cega que sustenta, ainda hoje, grupos que, em si mesmos, já não têm razão pra existir (supondo que um dia tiveram). Foi esse tipo de raciocínio que deu poder a Hitler, ou antes, à Santa Inquisição. É esse tipo de crença que ainda hoje causa espetáculos de violência gratuita após as partidas de futebol pelo mundo, enriquece líderes religiosos, faz os Estados Unidos terem uma boa desculpa pra invadir outros países (eles juram que acreditam que são responsáveis por manter a ordem no mundo), sem contar com outras injustiças "menores" mas igualmente desprezíveis.

Enquanto houver gente disposta a seguir piamente qualquer doutrina, de qualquer espécie, não haverá espaço para o bom senso. O mundo nunca vai passar de um amontoado imbecil de grupinhos que se fecham na sua ignorância bem vestida, mutuamente indiferentes ou inimigos.

E eu fico imaginando como isso pode ser o suficiente pra tanta gente...

sábado, 2 de abril de 2011

Quanto mais eu conheço as pessoas,

mais confio nos meus livros (cachorros dão muito trabalho). Digo isso porque não paro de me surpreender com a capacidade que a gente tem pra inventar motivos pra separar, desunir. A dinâmica é a seguinte: você cria um grupinho, que tem em comum alguma característica qualquer que você julga importante. Conforme esse grupinho vai crescendo, vocês descobrem que é divertido criar regras pra julgar quem não faz parte dele, ou impedir, por motivos cientificamente fundados, baseados nos clássicos postulados da teoria do jegue, que alguém com algum predicado específico, escolhido conforme a conveniência, não possa fazer parte daquele grupo e, portanto, da sua vida.

Embora pareça, não estou falando especificamente das tribos urbanas, contra as quais não tenho nada (e a favor das quais tenho menos que nada). Falo de quase todos os tipos de associações que o ser humano foi capaz de inventar. De rodinha de amigos na praça a partido político.

Não tenho nada contra que as pessoas se dividam em grupos de interesse comum. O que me incomoda é a atitude fanática e medieval de separar as pessoas em "presta" ou "não presta". Principalmente quando se usam critérios sem nenhuma lógica, como a religião.

Felizmente, tem gente que com sua história de vida me deixa mais tranquilo, sabendo que a sensatez ainda tem lugar em alguns pontos do planeta, como a Tais.

Otimista que sou, acredito que o bom senso ainda há de reinar. Esperemos.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Melhor que a encomenda!

Vou começar me retratando. No último post teci "elogios" nada cavalheirísticos (se é que isso existe) ao presidente do Flu, os quais faço questão de retirar agora. O cara tem visão. Fez uma oferta de contrato de três meses ao técnico sem nome (e, portanto, não muito caro) pra esperar o técnico de verdade, no caso o Abelão, voltar das Arábias. Seria uma jogada arriscada, mas que eu (e muito mais gente) apoiaria, principalmente dadas as opções que temos de técnico no mercado agora e, mais que isso, a empolgação que o Abel demonstrou em voltar a trabalhar nas Laranjeiras.

E, aquelas coisas, futebol é lindo porque de um dia pro outro as coisas mudam radicalmente! O carinha recusou o convite do Flu, o Enderson  - novo interino-permanente (seja lá o que isso signifique) - fez as alterações óbvias no time, e mostrou uma qualidade que o pretenso know-it-all do futebol, o ex-celentíssimo (gostou do trocadilho? hehe) Muricy não tem: coragem de botar o time pra frente quando precisa ganhar.

Todo ser humano com 256 MB de disco rígido encefálico percebeu que o time, hoje, finalmente estreou no ano. Não que tenha jogado um futebol lindo, que desse gosto de ver, mas mostrou uma vontade inédita em 2011 (alguns, vontade até demais, como o Digão e o Berna, que se atrapalharam mutuamente mais de uma vez), mordeu o tempo todo, teve gana, acreditou nas jogadas. Até o Julio Cesar, que já nasceu em ponto morto, brigou por alguns lances. O Time de Guerreiros mostrou novamente as caras.

Foi muita coisa pra perceber, esse jogo contra o América foi cheio de detalhes interessantes. Como o Fred que, após o segundo gol deles, ficou claramente abatido, nem comemorou direito o segundo nosso e (ao menos paraceu que) foi às lágrimas no terceiro nosso. E o Deco? Caraca, o Deco finalmente disse a que veio! Jogou o que sabe, deu o segundo gol de presente pro Araújo e fez o seu, decisivo, num lance que, se tivesse sido coreografado, não teria saído tão peculiar. A cabeçada do Fred era pro Deco, mas saiu completamente torta e o zagueiro do América, como que numa reverência ao nosso esforço, fez questão de ajeitar a rota. Merecido! Merecido pelo que foi o Fluminense no jogo, pelo que fez o nosso presidente hoje mais cedo no programa do SporTV, esculachando com toda elegância o Fanfarrão Ramalho (pediu pra sair, não é caveira!), defendendo a instituição, rindo na/da cara da FraPress enquanto o Abelão, lá do Sei-quê-lá-quistão mostrava pro Brasil o que significa mesmo ser tricolor.

Tem mais ainda! O destino ainda tratou de achar um substituto à altura do até agora inispensável Mariano na lateral direita, o Souza, de dar ao Conca um companheiro tão qualificado quanto na criação, o Deco, e de dar uma moralzinha pro hoje esforçadíssimo Araújo. Quase todo mundo que chegou resolveu estrear hoje! O He-Man não apareceu, mas tá com crédito e o Edinho... bom, deixa pra lá...

O fato é que o gigante despertou, o Time de Guerreiros tá de volta e esperamos que continue por aí. Pro bem dessa arte que se chama futebol.

PS.: O Fluminense definitivamente adora flertar com o perigo. Nada é fácil, e, por isso mesmo, tudo é emocionante.

PS. 2: O Gum é o próprio espírito do Time de Guerreiros. Valente, tá sempre lá quando a coisa fica realmente feia. Um herói.

PS. 3:Domingo, se o time entrar mordido como entrou hoje, promessa de um grande jogo contra o Vasco, que tá em meio a um de seus acessos de time grande. Vamo que vamo! Agora que tá ficando bom!

segunda-feira, 21 de março de 2011

Só pode ser brincadeira...

O Vasco tem uma peculiaridade interessante: às vezes se finge de time grande. Como fez ontem, contra o Botafogo. O meu Flu, por outro lado, tem uma peculiaridade irritante: volta e meia se faz de time pequeno. Como agora, anunciando a contratação do incógnito Gilson Kleina. Não conhece? Também não sabia da existência desse indivíduo até uns poucos minutos atrás, e adoraria ter continuado ignorante.

Eu realmente não sei o que se passa na cabeça do filho da p.... presidente de um time grande pra, após a demissão do técnico que ganhou 4 dos últimos cinco campeonatos brasileiros, contratar o "renomado" Zé Ninguém, que estava trabalhando na "poderosa" Ponte Preta. Tá de palhaçada comigo! Deixa o cara quieto lá no timeco dele! Pelo menos não expõe a instituição Fluminense a um ridículo desses.

O grande problema do Flu, aliás, é esse: é grande demais, e sempre adminstrado por gente de mente pequena demais. Mas brincadeira tem hora, e definitivamente, não era agora!

Só me resta torcer pra que eu queime a língua e esse cara seja o novo José Mourinho tupiniquim encubado... Queiram os céus que dê certo!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Vamos acabar com o Português.

Me convenci disso hoje. Visitando blogues, orkuts, e afins aqui e acolá, cheguei à conclusão de que o mais lógico é isso: acabar com essa palhaçada de português. Ninguém usa mesmo... Doze de cada dez blogues que visitei exibia todo o esplendor dos mais grotescos erros que a fértil mente do seu autor foi capaz de inventar. Aliás, não é à toa que tais mentes são tão férteis: adubo orgânico é o que não anda faltando, se entendem o que quero dizer...

Cada um inventa sua própria ortografia (e, não raro, sintaxe e gramática também) e escreve lá aquelas coisas horrorosas, demonstrando toda a falta de respeito consigo próprios e com os leitores.  Falta de respeito, mesmo. Porque outra coisa não é você escrever sem se importar com quem vai ler.

E não falo de erros acietáveis, não! Falo de espaços antes da vírgula (!!!); de "R" onde não tem, e de falta de "R" onde tem; de uso de palavras pra significar uma coisa que não significam, em nenhum sentido; de completa inexistência de acentos ou pontos durante parágrafos inteiros; de "descansar" com ç no lugar do s, de "n" antes de "p" ou "b"...

Realmente não entendo como o indivíduo pode não se incomodar em dizer pro mundo "Olá, eu sou burro!" assim tão descaradamente. Ou pior, ainda achar bonito.

Errar é normal, acontece, tudo bem. Mas errar oito, dez vezes numa postagem só, e erros primários, é uma vergonha! Falta de vergonha, aliás.

Mas, já que é mais fácil ver isso que ver português aceitável por aí, que vire tudo logo a casa-da-mãe-Joana, que, por sinal, eu não sei se escreve com hífen mesmo!

E eu sei que tenho que tratar esse meu "queísmo".

Tenho dito!

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Nossa juventude. Nossa, juventude!?

Eis que me deparo com a seguinte promoção (mais campanha, na verdade...) no Orkut: "Queremos BBB (adolescente)" (!!!).

Nessas horas é que tenho sérias dúvidas quanto ao futuro da nação... ¬¬

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Conhecimento de causa

Tudo bem você não saber muita coisa, ainda vá lá você julgar que pra sua vida você não tem necessidade de uma vida acadêmica.
Quem não sabe, tem dificuldade, mas se esforça pra aprender tem meu respeito. Quem acha desnecessário ir além do ponto onde parou, não tenho nada contra.
Mas aguentar gente que não sabe inventando modinha pra disfarçar a própria ignorância é f...!
Você não sabe, mas tá num ambiente em que deveria saber? Faça como eu: recolha-se a sua insignificância e trate de começar a estudar, mas não passe o ridículo de querer falar difícil. Dá nojo.